quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Hipertexto e Gêneros Digitais - Aula 12



Na aula de hoje, discutimos sobre o tema "Hipertextos Multimodais". A aula teve o objetivo de estudar e analisar algumas relações entre texto e imagem em revistas e jornais digitais. Inicialmente, o prof. Dr. Luiz Fernando Gomes comentou que linguagem é termo ainda muito confuso, pois não se chegou ainda a uma definição exata no nosso campo de estudo, por isso, optamos por chamar de "modos de representação", consoante quadro abaixo:


Os signos são modos de expressão que representam coisas para cada pessoa. Conhecemos algo através da representação. Não precisamos, por exemplo, trazer São Paulo aqui para sabermos e ter significação para nós. Para isso, utilizamos o próprio termo São Paulo. Como observamos no quadro acima, há vários modos de representação. E tudo que representa, expressa.
Quem primeiro começou a analisar imagens em nossa área foi Barthes. Para ele, as relações entre texto e imagem acontecem em três formas: ilustração, ancoragem e relay.
A tipologia hierarquiza as informações. Ao entrar num site, o que você ler primeiro? A leitura começa pelo layout. Nos textos digitais, encontramos textos e imagens em movimento:
Se analisarmos o site youtube, por exemplo, notaremos que é um hipertexto multimodal. Ele consegue inserir links nas palavras, nas imagens e em outros elementos do texto.


Às vezes a redundância de informações linkadas é positiva, mas também pode aparecer de forma negativa. Está faltando pesquisas nessa área que investiguem mais profundamente esses aspectos e particularidades da multimodalidade.
Feitas as devidas reflexões, passamos a estudar outro texto intitulado "Multimodalidade e leitura de imagens: a construção de sentidos em textos verbo-visuais". O texto teve o objetivo de explorar, por meio de exercícios, a 'aptidão' dos modos verbal e visual.

Estudamos os seguintes tópicos (GOMES, 2015):
O verbal e o não verbal: Nós nos comunicamos através de códigos que podem ser divididos em duas grandes categorias: verbal e não verbal. Ambos são interpretados de forma convencional e articulada, porém, o código verbal organiza-se com base na linguagem duplamente articulada (a primeira articulação é formada por unidades significativas, os morfemas, e a segunda é formada por unidades menores, ditas não significativas, porém distintivas, os fonemas); os códigos não verbais envolvem sentidos variados, como os visuais, auditivos, sinestésicos, olfativos e gustativos.
Leitura de imagem: os textos visuais são diferentes dos verbais. Embora a imagem possa ser apreendida no todo, logo à primeira vista (enquanto um texto verbal precisa ser percorrido, digamos assim), ela possui complexidades que precisamos compreender. De fato, nem uma imagem vale por mil palavras, nem as palavras tem mais poder do que as imagem!.
O simples reconhecimento dos elementos da imagem não é suficiente para a sua interpretação.
A leitura e a interpretação de imagens requer conhecimentos sobre seu funcionamento enquanto signo semiótico e das relações de sentido entre os diferentes signos que as compõem.
Aptidão: Cada modalidade expressiva integra um conjunto diferenciado de significados possíveis, pois cada forma semiótica é única, na medida em que agrega um conjunto de normas interpretativas e possibilidades de significado que lhe são particulares. Assim, os diversos significados veiculados por cada forma semiótica se integram e complementam de forma a auxiliar a interpretação geral ou a de segmentos particulares do texto. Neste minicurso, interessa-nos estudar as relações da fusão imagem-texto, considerando que estes modos (imagem e texto) possuem suas affordances.
Affordances: são como Kress & Van Leeuwen, (1996, p. 5) e Kress, (2005, p. 7, apud GOMES, 2008) denominam os limites e as possibilidades expressivas de cada modo.
Diante disso, podemos assegurar que a gente vê o que está preparado para ver.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Período de greve nas IES Federais

Achei interessante os vários links que estão no site da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), por isso decidi postar um link geral que dará acesso aos vários links/notícias referentes ao período de greve nas IES Federais, de modo particular na UFAL.

Divulgação

 Olá pessoal, estarei lançando um livro organizado por mim e mais dois amigos - Jusciney Carvalho e Melqui Zedeque Lopes. O livro será publicado pela EDUFAL e
contém pesquisas na área de língua inglesa, língua portuguesa, educação especial e literatura.
Todos os artigos elencados no livro são formas de incentivo à pesquisa que oferecemos ao leitor com o objetivo de buscar o conhecimento através de singelas reflexões sobre a realidade linguística presente no cotidiano das escolas e da vida através do ensino, da aprendizagem e dos textos, sejam literários ou não, mas textos que fazem compreender uma sociedade que busca por melhorias e por transformações.
Bem, aqui está um primeiro esboço da capa!
Abraços!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Hipertexto e Gêneros Digitais - Aula 11

Faltei à aula do dia 21/10. No entanto, ficou de se proceder às apresentações das questões de revisão que foram propostas no dia 07/10, aula de reinício das atividades acadêmicas após o período de greve.
EXERCÍCIOS DE REVISÃO

1- Apontem as principais semelhanças e diferenças entre texto e hipertexto, dividindo-as em três aspectos: (1) sua constituição; (2) questões referentes à leitura; (3) questões referentes à sua produção para fins educacionais, tanto para o ensino quanto para a aprendizagem.
a) Sua cosntituição: semelhanças entre texto e hipertexto: interação, intertextualidade, informatividade, coesão, coerência, topicidade, situacionalidade e relevância. Diferenças entre texto e hipertexto: o texto não possui links, apresenta linearidade, materialidade e é unidimensional. Já o hipertexto possui links, não linearidade, virtualidade e é multidimensional.
b)  Questões referentes à leitura: "O hipertexto nos faz perceber coisas no texto que antes não percebíamos e nos serve de pretexto para revermos e compreendermos melhor o que vimos chamando de texto" (GOMES, 2010). O texto nos traz uma leitura linear das coisas. O hipertexto nos traz uma leitura não linear. Com ele, o leitor é autônomo para estabelecer suas conexões e escolher suas leituras. Perfetti coloca que não é a diferença entre texto e hipertexto que é relevante, mas se o leitor está interessado em processar o texto ou usá-lo. Outro fator relevante é que a progressão no hipertexto é controlada pelo leitor/usuário.
c) Questões referentes à sua produção para fins educacionais, tanto para o ensino quanto para a apresndizagem: Há várias possibilidades para a produção de hipertextos na escola: jornais e revistas eletrônicos, texto de divulgação científica, músicas, questionários, videos etc.
Ver seguinte vídeo produzido no contexto escolar: paródia sobre Mário de Andrade (1ª fase do Modernismo Brasileiro):







2- Qual a relação entre internet, web e hipertexto?
O hipertexto é essencialmente digital. Já que é um texto eletrônico, circula em grande rede de acesso: a WEB. Entendemos que a internet é o grande meio que serve de sustentação para as redes de webs. E o hipertexto é justamente uma das formas de manter a relação entre as redes na internet, cumprindo seu papel e sua função no processo de interação entre usuário e rede.

3- Quais as principais funções dos links? Dentre as funções chamadas retóricas, quais as que vocês percebem como as mais importantes ou as mais usuais?
Os links cumprem a função de dinamizar, ilustrar, ampliar e aprofundar as informações na WEB. Dessa maneira, convém especificar duas funções dos links: a função retórica e a função estrutural.
4- Sobre o chamados gêneros digitais, apresentem a(s) definição(ões) de gênero que perceberam ser mais produtivas para suas pesquisas/atividades com as linguagens no meio digital.  Com base nessa(s) teoria(s) façam um elenco de gêneros digitais, justificando cada um dos gêneros elencados mediante um enquadramento teórico.
Quando se fala em gêneros digitais, há duas posições diferentes: uma de que eles existem (autores como Marcuschi defendem essa posição) e outra de que eles não existem (é o caso de Araújo que faz pesquisas na área através do Projeto REGE, na UFC). 
Seguindo a linha de que os gêneros digitais existem, Marcuschi coloca que existem vários meios de interagir com outras pessoas por meio de redes sociais, e-mail, fórum, lista de discussão, blog etc.  Estes variados tipos de textos exigem novos gêneros textuais, pois possuem características próprias. Para Marcuschi, todos os textos se manifestam em algum gênero textual e são reflexos do ambiente que na qual são produzidos. Marcuschi aponta que no ambiente virtual há diversos gêneros emergentes, como e-mail, chats, entrevistas e blogs. Estes gêneros possuem estreita ligação com gêneros textuais já existentes em outros ambientes, porém estão reconfigurados para o discurso eletrônico, apresentando características particulares e próprias da mediação presente nos ambientes virtuais.
Seguindo a linha de que os gêneros digitais não existem, Araújo coloca que os gêneros são do discurso e não são digitais, pois circulam em ambientes plurais que transmutam para si diversas esferas de atividade humana. Amparado na teoria do capital social e do remix, Araújo coloca que a internet serve de ambiente que abriga os discursos das várias esferas de comunicação humanas e seus gêneros se transmutam para esses ambientes.
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Hipertexto e Gêneros Digitais - Aula 10

Iniciamos nossa conversa falando sobre a Associação Brasileira de Estudos do Hipertexto (ABEHTE). O professor Dr. Luiz Fernando começou a aula falando do momento eletivo porque passa a ABEHTE e fez uma apresentação sobre os vários encontros promovidos por essa associação. Pediu também que a gente refletisse um pouco sobre nosso objeto de pesquisa e comentou sobre os vários trabalhos apresentados nos encontros sobre hipertexto e relatou que o problema não é pesquisar a tecnologia, mas a linguagem. Sobre os novos estudos de hipertextos: quais problemas persistem? "Os estudos sobre hipertexto precisam ser repensados em termos sociais e não puramente linguísticos", ressaltou.
Prosseguimos nossa aula com as apresentações que foram interrompidas com a greve.
Josineise e Sandra apresentaram o artigo "Gêneros Digitais: as TIC como possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa", de Felipe LOPES de Lima, Gernei GÓES dos Santos e Denize PICCOLOTTO Carvalho Levy. Os autores abordam no artigo sobre a grande possibilidade de usar as TIC como forma de aprender a Língua Portuguesa.
Segue resumo do artigo:
A sociedade atual se insere num contexto da digitalização das informações. Na escola, as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) e as propostas pedagógicas devem se aliar na formação de sujeitos conscientes dos benefícios das ferramentas digitais para a prática discursiva. Neste trabalho, pretende-se investigar se os gêneros digitais podem configurar-se como ferramentas no ensino de língua portuguesa, desenvolvendo capacidades cognitivas dos alunos. Para alcançar os resultados, além da leitura de diferentes fontes escritas, realizou-se uma pesquisa de campo, através de questionário, cujo intuito foi diagnosticar como professores e alunos da rede estadual de ensino percebem a importância do uso de gêneros textuais eletrônicos em sala de aula. Após a tabulação dos dados e análise, verificou-se que, tanto sob a perspectiva dos autores consultados quanto sob a percepção de professores e alunos, tais gêneros podem ser ferramentas de ensino. Conforme os resultados obtidos, constatou-se a existência de empecilhos para o uso dos gêneros digitais em sala de aula, envolvendo problemáticas tanto de ações públicas voltadas à educação quanto de preconceitos de alunos em relação ao suposto prejuízo que esses textos poderiam trazer à norma culta da língua.

Depois, seguiu-se a apresentação de Eliezer que foi sobre o hipertexto educacional, tema apresentado na aula do dia 13/05/2015. Ele enfatizou o letramento digital e o trabalho com o hipertexto educacional. Para isso, ele elaborou um formulário para ser respondido de acordo com a audição de uma música em inglês. Infelizmente, não consegui acessar hoje o link, mas na época que ele mandou eu respondi. Deve ter sido a pior nota! Segue link: http://www.natopixel.com/

Por último, seguiu com a apresentação, nossos colegas José Edson e Marília. Eles apresentaram o texto "Os gêneros digitais no ensino-aprendizagem da webliteratura: o caso dos weblogs". Fizeram uma abordagem sobre o transletramento hipertextual e mostraram que o trabalho de Literatura continua separado do de Língua Portuguesa. Colocaram que os articulistas discutem que existem três esferas dos gêneros textuais: texto literário, texto jornalístico e texto científico. E que eles colocam um novo conceito para gêneros digitais: e-gêneros. Eles definem weblogs como e-gênero = um gênero textual digital.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hipertexto e Gêneros Digitais - Aula 9

Retornamos às atividades do Mestrado do PPGLL/FALE/UFAL. Não poderia ser melhor, justamente na aula de Dr. luiz Fernando Gomes. Sempre é uma alegria participar dessa aula, pois a cada quarta é um aprendizado que fica somando nossos conhecimentos.
O professor Luiz Fernando iniciou a aula dizendo que fazemos uma ligação de texto e imagens mesmo sem saber efetuar os significados e relações. Ele pontuou que a gente sempre fez remix e paródias através da associação de imagens e textos. No entanto, a gente fazia sem a noção porque não se estudava isso. No processo de manipulação da imagem, podemos estabelecer estes processos: razão e sensibilidade, atribuição de sentido, interpretação e compreensão (as estratégias de produção de sentido do produtor e não do receptor). O professor pediu para que fizéssemos uma reflexão a respeito do que o hipertexto tem feito ou não tem feito na escola?
Ficou acertado para, na próxima aula, continuarmos as apresentações que foram interrompidas por conta da greve.